Segurança é turismo em áreas críticas

Faço parte de um grupo de turistas com um olhar atento aos bastidores da indústria turística. Essa razão me faz andar pelo mundo não somente com a intenção de conhecer um novo lugar ou cultura, mas também (muitas vezes mesmo sem querer), observar como tudo funciona. Tenho andado, nos últimos anos, com uma relação muito estreita com alguns grandes profissionais de segurança turística (como por exemplo, o Dr. Peter Tarlow, da Tourism and More) e esse ano tive a oportunidade de visitar Israel, em Julho de 2012. A diferença nesta viagem começou logo no aeroporto de Lisboa, quando fui abordada gentilmente por um responsável pela segurança, que me separou da minha amiga e companheira de viagem. Enquanto ele revistava os meus pertences, conversava animadamente, sempre a perguntar sobre a minha vida: Onde você nasceu? Gosta da sua cidade? Qual o nome do seu pai? Onde vai ficar em Israel? Esteve no Panamá nos últimos 3 meses? E a sua amiga, conhece há muito tempo? Claro que percebi do que se tratava, mas era tudo muito sutil e leve… além disso, eu não tinha nada a esconder! Minha amiga também foi submetida a uma sessão de perguntas, em outra sala. Nos reencontramos sorridentes, não tínhamos nenhuma pressa, muito menos algo a esconder. Uma vez em Israel, é notório todo o esforço relativo à segurança. Sentada na areia de uma badalada praia em Tel Aviv, observava um silencioso avião a cruzar o céu vezes sem conta, de um lado para o outro. O mercado de rua é completamente cercado, com seguranças nas ‘entradas’ que nos revistam as bolsas. Em um outro mercado até presenciamos militares, fortemente armados, a correr para resolver alguma situação. A caminho do aeroporto em um táxi passamos por barreiras de militares que, educadamente, pediram para parar e responder a diversas perguntas sobre o nosso voo. Na saída do país, mais revistas às malas, detectores de drogas em cada ínfimo espaço, perguntas sobre o que fizemos em Israel e mais outros procedimentos de segurança comuns aos aeroportos do mundo. Enquanto turista tudo isso me fazia sentir mais segurança. São profissionais altamente treinados e, na minha perspectiva, de uma forma geral têm obtido sucesso. Não me senti incomodada face ao potencial risco no país mas tornou-se evidente a preocupação que gira em torno da segurança. Tudo isso me fez reflectir acerca da situação israelense. Há uma cerca de arame farpado que separa Israel da Palestina. De um lado vida, verde, movimento e riqueza. Do outro lado, um ambiente seco, como um deserto em que nada dá. Tudo separado apenas por uma cerca. Conheço a questão do conflito que envolve os dois lados, apesar de não ser nenhuma estudiosa do assunto. Mas voltei para casa a pensar: se fosse um vizinho nosso, como o Paraguai, a atentar contra os nossos cidadãos, quanto aceitaríamos? Com todo esse aparato de segurança, quem são os verdadeiros reféns? As ‘respostas bélicas desproporcionais’ são mesmo desproporcionais? E se simplesmente Israel não respondesse aos ataques estaria num contexto menos conflituoso? Sei que é um assunto polêmico e sem respostas atualmente. Parece uma rixa sem solução. Mas voltei de Israel a reavaliar os meus conceitos, a tentar ver a situação também com outros olhos. Os procedimentos de segurança não me incomodaram minimamente mas estavam visíveis em todos os lados. Com relação ao turismo, é um país lindo, seguro internamente e que vale a pena uma visita… repetidamente! Quanto aos inúmeros procedimentos de segurança extras a que fui submetida, diante de tudo, prefiro colaborar de forma também sorridente e acreditar que com eles farei uma viagem mais segura!

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